O problema da hidropirataria

Rio amazonas

Ontem, assistindo aos noticiários da TV, me deparei  com uma prática que, até então, não sabia que estava sendo tão praticada no  nosso país. Trata-se da hidorpirataria. o nome meio complicado serve para designar o ato de se roubar (roubar mesmo) águas de um determinado local para vender em  outro – uma espécie de “comércio ilegal de águas”. 

O nome hidropirataria foi dado pela imprensa e caracteriza um problema real no país. Literalmente, nós estamos tendo as águas dos rios amazônicos sendo contrabandeadas, pirateadas mesmo! No entanto, a falta de uma denúncias formais (pelo menos é isso que eles alegam) impede  uma ação mais incisiva a Agência Nacional de Águas (ANA).

A diretoria da Ana, responsável pela fiscalização dos recursos hídricos, sabe da hidropirataria. Até a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) conhece o assunto.  Um relatório secreto da maçonaria também denuncia o roubo da água da Amazônia, que ocorre na foz do rio Amazonas, na altura do Amapá.

Fonte: nadiatimm

Como se não bastassem as queimadas e  os desmatamentos que destroem a floresta amazônica, agora estão roubando as águas dos rios da nossa maior riqueza florestal. Isso é até previsível se pensarmos que, em países do oriente médio, por exemplo, se compra água a peso de ouro. E não são  todos os países  que tem a “sorte” de ter rios caudalosos com água de extrema  qualidade, como são os rios  da Amazônia.

Não faz muito tempo que algumas entidades denunciaram o roubo da nossas águas. Segundo diversas autoridades, navios que descarregavam suas mercadorias em portos amazônicos voltavam aos seus países de origem cheios de água para vender. E o negócio é lucrativo:

A captação de água seria feita por petroleiros no rio Amazonas. A foz do rio, o maior do mundo, tem 320 quilômetros de extensão, na costa do Amapá, despejando no Oceano Atlântico pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo. Na foz, a profundidade média é em torno de 50 metros, o que suporta o trânsito de grandes cargueiros. O contrabando é facilitado pela ausência de fiscalização na área. Um navio petroleiro armazenaria o equivalente a meio dia de água utilizada pela cidade de Manaus, de 1,5 milhão de habitantes. […] Essa água, apesar de conter uma gama residual imensa e a maior parte de origem mineral, pode ser facilmente tratada. Para empresas engarrafadoras, tanto da Europa como do Oriente Médio, trabalhar com essa água, mesmo no estado bruto, representa uma grande economia. O custo por litro tratado é muito inferior aos processos de dessalinizar águas subterrâneas ou oceânicas, além de livrar-se do pagamento das altas taxas de utilização das águas dos rios europeus.

Fonte: Nadiatimm

Cabe lembrar, no entanto, que, por lei, o Brasil teria que defender a posse de suas águas, que é tratada como “bem da União” no artigo 20º da nossa constituição. Porém, o que vemos, mais uma vez, é uma total falta de controle. Precisamos lembrar que a Amazônia é a maior reserva de água doce do planeta e que isso, não nos enganemos, é  uma riqueza imensurável  para muita gente.

Não podemos permitir que nossa água seja roubada aqui, para atender interesses econômicos de empresas estrangeiras lá fora. É parecido com a  biopirataria: não dá para conceber que outros países desfrutem das nossas riquezas naturais antes de nós. Afinal,  nossa soberania não pode ser apenas uma palavra bonita para discursos políticos…

Henrique Oliveira

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Os sambas de Mussum

mussum

Qualquer brasileiro que tenha vivido, mesmo que rapidamente, a década de 1980, se lembra com muita vivacidade da figura do comediante Mussum. Conhecido por encarnar com maestria o personagem boêmio e falastrão da série “Os trapalhões”, Antônio Carlos Bernardes Gomes (esse era o nome verdadeiro dele), nasceu no Rio de Janeiro em 7 de abril de 1941 e, realmente, se tornou um ícone da irreverência brasileira. E digo isso não só porque ele era um talentosíssimo comediante. Mas, também e, talvez, principalmente porque ele representava muito bem toda uma geração carioca e brasileira ligada á figura do boêmio, da irreverencia e, claro, do samba.

Sim. O conhecido trapalhão era uma sambista de mão cheia na vida real. Foi líder durante muito tempo de um competente grupo de samba e, junto com estes amigos, compôs e cantou  ótimas músicas.

A geração que tem Mussum como o engraçado cachaceiro do quarteto Trapalhões talvez não conheça o lado cantor do humorista. Sambista de primeira, liderou o grupo Os Originais do Samba nos anos 60 e 70, e mais tarde partiu em carreira solo, que rendeu discos como este auto-intitulado álbum de 1980. Com direito a coro infantil e participação dos colegas de trupe na faixa de abertura “Descobrimento do Brasil”, é um disco de samba redondo, daqueles que animam qualquer churrasco espirituoso, com momentos divertidos como “A vizinha” e a piada de funeral “O saudoso”. Mas Mussum também tinha seus momentos ternos, como na bela “Um amor em cada coração”, de Vinícius de Moraes e Baden Powell, cantada em dueto com Márcia e a emocionante “Terra de Jô”, mistura de cantigas infantis cantada com o coral de crianças.

Fonte: G1

Na verdade, ao assistir os episódios dos trapalhões, creio que o público, no fundo, já soubesse da veia sambista do Mussum. Porém, poucos tiveram a oportunidade de apreciar as boas músicas cantadas pelo nosso inesquecível “cachaceris”.

Pensando nisso, o Incomode-se resolveu resgatar um pouco desse “outro lado” do saudoso humorista. Abaixo, nosso leitor vai poder acompanhar uma amostra da atuação musical que transformou o personagem Mussum num nome respeitado dentre os apreciadores de um bom samba. Vejam:

 
 
 

Mussum morreu no dia 29 de julho de 1994 vítima do alcoolismo que tanto cantou em suas músicas. No entanto, até hoje, é reconhecido com um dos maiores humoristas da história do nosso país…

Henrique Oliveira

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Será que vai fazer bem?

Uso indiscriminado de medicamentos pode trazer graves riscos à saúde.

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O uso indiscriminado de medicamentos é algo extremamente perigoso e bastante comum no nosso país. Como todo mundo sabe, é comum encontrar pessoas que tomam sem nenhuma necessidade aquela “pilulazinha” para dormir, para se sentir bem, não sabendo o perigo que esta ação pode estar causando. Vejam:

Uma questão é muito importante ressaltar: balconistas ou donos farmácia (claro que há exceções) pensam somente no lucro adquirido na venda imediata de determinada droga. E esse fato tem que ser repensado para que se faça algo em prol do próximo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, no mundo, mais da metade de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou vendidos inapropriadamente e que metade dos pacientes não os usam corretamente. Portanto, é gasto muito dinheiro que, ao invés de benefícios, pode trazer gravíssimos riscos à saúde.

Fonte: SPPT

No Brasil existe a portaria 3.916/98 do Ministério da Saúde que dispõe sobre o Uso Racional de Medicamentos (URM) que compreende a “prescrição apropriada; a disponibilidade oportuna e a preços acessíveis; a dispensação em condições adequadas; e o conjunto de doses indicadas, nos intervalos definidos e no período de tempo indicado de medicamentos eficazes, seguros e de qualidade.”

No entanto, sabendo como funcionam as coisas no nosso país, é muito complicado que vejamos estas regrinhas sendo seguidas, não é? Porém, queridos leitores, fica a ideia lançada: devemos fazer o certo ou abraçar mais uma vez o erro?

Ricardo Durães

* Mais informações:

 http://www.sppt.org.br/wp/?p=162

http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/area.cfm?id_area=1141

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O rio da consciência

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Há muito tempo, em uma manhã cinzenta de inverno

Um homem despiu-se diante de um riacho e ateou fogo em suas vestes,

Permanecendo ali durante muitas horas daquele dia

A contemplar o seu rosto refletido na água.

De vez em quando atirava uma pedrinha no rio

Como se buscasse enxergar a formação de uma nova imagem.

Cada vez que seu reflexo ressurgia

Sentia seu coração pulsar com mais força.

Notou que havia algo encantador por trás de seu semblante triste.

Fixou pela primeira vez em seus próprios olhos,

Sentiu-se vivo e chorou.

Enxergou o que estava além da sua face...

Descobriu-se por dentro.

Uma sabedoria ignorada, subitamente, se aflorou.

Viu com os olhos do espírito toda a grandeza de seu Ser.

Ele não sabia exatamente como, mas,

Havia atingido um nível de entendimento que jamais imaginara experimentar.

Ele que era tão apegado aos títulos, às aparências, às convenções,

Compreendeu que é nas coisas mais simples da vida que a felicidade se esconde.

E que qualquer um pode garimpá-la.

Que o mais “miserável” dos homens pode sentir-se mais realizado que o mais nobre.

Toda a sua vida parecia ter sido vã.

Ele olhou para todo o trajeto percorrido

E encontrou um enorme vazio existencial.

Como poderia ter chegado até ali sem a lembrança de um sol se pondo?

Sem uma lágrima ou um sorriso pelos versos que escrevera?

Sem um abraço sincero de alguém a quem teria estendido a mão?

Não, ele nunca havia se permitido sentir a ternura de um entardecer,

Jamais compartilhara seus poemas com quem quer que fosse,

E não havia uma só ferida que a sua mão egoísta tivesse derramado um bálsamo.

Mas ainda havia tempo, ele estava vivo.

E sua alma com sede de viver.

Ele jogou mais uma pedrinha na água e novamente a sua imagem se formou

Seu rosto estava envolto numa luz suave e doce.

E seus olhos deixavam transbordar uma serenidade imperturbável.

Sua imagem então se ergueu das águas.

Alma e homem fundiram-se num abraço

E nunca mais se separaram.

O homem vestiu a alma com seu corpo,

Mas permaneceu nu, e sua nudez o aquecia.

Bernadete Barreto

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Mais sobre cotas

cotasVou tentar, ainda que brevemente, defender outro ponto de vista, apesar de não “provar” nada. Aliás, ninguém conseguirá provar nada sobre essa questão se levar em consideração apenas o lado “individual” do assunto, principalmente, as brilhantes trajetórias de vida, de sucesso/superação, que sem sombra de dúvidas são relevantes, mas são apenas trajetórias singularizadas. Acredito que o olhar tem que ser amplo, com uma mirada que dê conta minimamente do passado histórico-social do povo brasileiro, como diria Darcy Ribeiro, do povo miscigenado (ou mestiço).

A  primeira coisa que quero apresentar se refere a um fato objetivo. Existe no Brasil uma segregação por “cores”. Pensemos um pouco. Em quais tipos de trabalhos estão normalmente empregados os negros, sobretudo, os “pretos”? Em quais bairros estão morando? Quais lugares (bares, restaurantes, shoppings, lojas, teatros, shows etc.) costumam frequentar ou ter acesso (financeiro, espacial)? E quais bens possuem com maior facilidade? Portanto, seja no consumo de produtos (e serviços), seja diretamente em postos de trabalhos, sobretudo, em grandes cargos, ou na própria estrutura de comando do país, nos postos de controle, de decisão, de gestão, muitos poucos são os “pretos” que lá estão. O que quero dizer? Que existe um fosso abissal entre culturas (ou até entre “raças”, apesar de não gostar do uso desse termo. Chego a preferir o uso do termo etnia).

Esse é um argumento extremamente objetivo, real, sem cair no mero objetivismo dos fatos, no empirismo da argumentação, para pensar em termos epistemológicos, mas apenas afirmando que se trata do mundo real, das relações sociais (concretas), da vida social no Brasil. Portanto, a sociedade brasileira é extremamente desigual e segmentada.

Vale também atrelar a esse argumento um outro que, na maioria das vezes, é colocado como contraponto. Refiro-me àquele que diz que só depende do esforço do indivíduo para alcançar qualquer posto no país. Que é isso? Mera saída “individualista”, que lança toda força ao indivíduo, produtor de si mesmo, como se ele fosse autônomo do mundo, da estrutura social, da sociedade, das instituições, e que fosse racionalmente capaz de fazer escolhas conscientes por toda sua trajetória e que em nada dependesse do mundo social circundante. Mundo esse que determina muito de sua “possibilidade” de ascensão e de composição cultural, simbólica, educacional, política, econômica etc.

Este tipo de saída sempre é usado para justificar a falta de mobilidade das pessoas, como resultante da falta de vontade e de “garra”, jogando todo o peso pelo sucesso ou fracasso no “esforço individual”. Um argumento totalmente injusto e puramente capitalista, mera abstração criada pelo sistema e por seus agentes, sobretudo, para justificar suas condições excepcionais de classe, herdadas ou adquiridas. Essa forma de (des)racionalização torna todas as pessoas iguais, as quais compartilham de um mundo similar, quase “mágico”, em que os indivíduos podem brilhar e reinar, conforme suas vontades, desejos e sonhos. É quase um mundo-cenário, onde as pessoas encenam suas realizações. Dessa forma, não se pode nem falar em desigualdades, já que todos são iguais, livres, afinal, são indivíduos, nascem assim. Logo, todos podem. Vale a máxima: “se eu consegui, todos podem...”. Independente de como será o final dessas tentativas, o que importa em demasia é a mera “possibilidade”, é o ponto de partida em comum.

Em paralelo a essas poucas questões que tratamos aqui, existe outra coisa que não pode ser deixada de lado, o Brasil por séculos teve “elites” econômicas e culturais que sempre menosprezaram as culturas e manifestações de grupos que não os seus “puros” ou “prediletos”, que substancialmente nada têm de puros, mas que foram assim classificados e consolidados.

Isto é, foi forjada uma pureza quase “racial” de herança européia, portanto, “branca” por excelência, para compor seus hábitos e perfis enquanto elite dominante do país. Tudo que não fizesse parte desse núcleo abstrato estaria fora, seria renegado e, obviamente, combatido/perseguido, também exterminado. Tudo mais faria parte do populacho, sujo, obsceno etc. Ainda hoje, determinados grupos sociais são vitimados e liquidados da vida social, quase todos compostos por “negros”, principalmente, jovens, que por não terem “utilidade social”, são descartados. Mesmo porque, é conhecido o grande contingente de desempregados e outros tantos informais, exército de reserva, para lembrar Marx, que esperam também uma oportunidade.

O sistema econômico já está saturado de empregados. Por certo, voltando, nem tudo essa “elite” conseguiu apagar ou impedir que fizesse parte de seu dia a dia. Muitas coisas dos povos indígenas e negros foram combatidas e outras incorporadas, seja na comida, na fala, nas crenças ou na cultura em geral. Não é aqui o caso de serem descritas ou aprofundadas. No geral, essas elites terminaram consolidando um tipo de “civilidade”, um tipo adequado e aceitável de vida social, de sociedade, que se lastreou numa forma conservadora e repressiva de vida, onde as partes da nação são divididas e fragmentadas por “cores”, onde cabe, normalmente, aos “negros” as partes mais laboriosas, com menos riquezas, conhecimentos e quase nenhum glamour. Nisso, haja força repressiva para conter os reclames das massas, em favelas, no campo, nas ruas, etc.

Com isso, estávamos apenas situando as linhas gerais de nossa argumentação que se delimitou em três frentes. A primeira, que se refere à discriminação e segregação de “cor” no país; a segunda, que fala do argumento individualista, em que o sucesso ou fracasso só depende de si, a via capitalista por natureza; e, a última, coloca em destaque o papel conservador, persecutório e discriminatório das elites brasileiras. Elites aqui tratadas no plural mesmo, pois não compõem, é sabido, um bloco homogêneo, ao contrário, possuem frações e variações/clivagens internas, que não cabe aqui serem explicitadas. Mesmo porque, elas não são apenas conservadoras, são também, em partes, progressistas.

Feito esses delineamentos gerais, cabe lançar nossa posição. Defendo absolutamente as COTAS, em caráter temporário, para compensar e para servir como ferramenta de conhecimento para negros e índios. Digo mais, é preciso misturar as cores (culturas e raças) nesse país, não apenas nas vielas, ruas, praias, estádios ou festas populares, como já ocorrem. É preciso misturar as “cores” nos cargos de comando, de prestígio, nos meios acadêmicos, nos postos de trabalho em geral. É preciso mexer na “elite” brasileira, quebrar sua forma monocromática, que representa muito pouco da dimensão do que é o povo brasileiro. É claro que dessa mistura muito pouco se fará do ponto de vista da diminuição das desigualdades sociais/econômicas ou culturais e políticas desse país, mesmo porque, não se está alterando a forma desigual e excludente do modo de produção capitalista. São apenas mudanças na superfície, nas frestas.

Por sinal, acho que aqui a discussão sobre como se dará a regulamentação das cotas deve ficar para depois, o que vale é sua aprovação inicial e irrestrita. Aliás, eu sempre defendia que fossem “cotas sociais”. Hoje, após reflexões, acho que pode ser uma mescla que contemple não apenas o social, mas também elementos étnicos/raciais. Algo que tem que ser debatido mais amplamente com o conjunto da sociedade, como defende Dannieslei no seu último artigo. Contanto que sejam contemplados, sobremaneira, negros e índios. O crucial é que sejam consolidas como políticas públicas, ainda que de horizonte determinado. Tem coisas que só vão mudar na “marra”. As “elites”, em suas casas confortáveis e bastante protegidas, nas “casas-fortalezas”, pouco querem saber de mexer na forma da estrutura social, ainda que na sua aparência. Elas quase sempre nem se interessam pelo assunto. Ou seja, as mudanças só ocorrem por pressão social.

Destarte, temos que unir forças e não dar espaço para oposições internas, que tratem apenas das formas de aplicabilidade do projeto. Quando se traz para o centro do debate a questão da constituição federal, aí, abre-se um espaço desnecessário para os “legalistas” de plantão, que terminam interpretando à seu modo tais leis e as usam como “camisa de força”, de modo, que nada possa ser dito de outra forma. Temos que ter cuidado com isso. Por fim, temos que lutar pelo macro e pela efetividade coletiva de determinada lei.

Bruno Durães

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Sobre cotas e outras coisas

manifesto cotas

Já se passaram alguns anos, mas ainda me lembro o quão estressado fiquei quando fiz vestibular. Dormia pouco, quase nada. Sair, namorar, encontrar os amigos, nem pensar. Vivia para os estudos, mas de certa forma valeu a pena. Eu cheguei lá.

Estudei minha vida inteira em escola pública, portanto, sou testemunha do quão falho é o sistema. Embora a minha escola tenha feito comemorações, oba- oba, festa com presença de autoridades quando da nossa aprovação, minha e de mais umas dez pessoas no máximo, o que é nada para uma escola de mais de três mil alunos, tenho a consciência nada modesta, confesso, de que a minha vitória deveu-se muito mais a méritos meus. No entanto, se fosse hoje, coitado de mim. Teria que me esforçar o dobro do que me esforcei, o que, cá pra nós, seria desumano. Tenho um problema: sou branco. Tive azar. Meu pai é negro, meu avô negro também, meu bisavô, vixe, era um negão, mas eu, pobre de mim, não sei se por birra de Deus ou da miscigenação, nasci branco.

Embora já tenha feito um preâmbulo do que vou tratar nesse artigo, e de certa forma adiantado a minha posição sobre, gostaria, antes, de tentar contribuir no sentido de desfazer equívocos quanto à base legal das políticas de discriminação positiva. Mesmo não sendo especialista em Direito, espero que me permitam a pretensão. A Constituição Federal de 1988 declara expressamente no caput do seu Art, 5º que “todos são iguais perante a lei, sem distinções de qualquer natureza...”. O que eu tenho percebido nas discussões que venho travando sobre o tema é que há, mesmo nos meios intelectuais, compreensões simplistas e rasteiras a respeito do supracitado princípio da isonomia. A igualdade aqui preconizada, e essa já é uma questão pacífica no Supremo Tribunal Federal, há que ser compreendida de forma a se tratar os iguais de maneira igual e os desiguais de maneira desigual, na medida das suas desigualdades. Não fosse assim, a própria Constituição não estabeleceria discriminações, como por exemplo, o tempo de aposentadoria diferenciado para homens e mulheres, a proteção do mercado de trabalho da mulher, a garantia de um percentual de vagas em concursos públicos para deficientes, etc. Portanto, as políticas de discriminação positiva, ou ações afirmativas, como preferirem, extraem sua base legal do próprio texto constitucional, isso não questiono.

O ponto que pra mim não é pacifico é estabelecer a questão raça, cor, como fator de desigualdade. É claro que o nosso país é preconceituoso, embora seja politicamente incorreto admitir, o fato é que é. Mas daí a positivar o preconceito, transformá-lo em lei, em políticas públicas, acho que é dar um passo perigoso. A África do Sul e os Estados Unidos fizeram isso, e as conseqüências não foram as mais alentadoras.

Sem se falar que a discussão em torno do assunto tem se dado de maneira irresponsável. Acredito que esse debate tem que sair das casas legislativas e tomar as ruas, permearem o cotidiano de cada um de nós, para chegarmos a uma conclusão satisfatória. O que tenho percebido com uma dose áspera de pesar é que as políticas de cotas no Brasil, assim como praticamente todo assunto importante, têm servido muito mais de palanque eleitoreiro para políticos mal intencionados que as usam para “ficar bem” diante de determinados grupos sociais. Basta ver, por exemplo, o alarde feito no governo Fernando Henrique Cardoso quando da indicação da primeira ministra mulher, Hellen Gracie, para o STF. Não menos alarde fez o Governo Lula, quando indicou o Ministro Joaquim Barbosa, primeiro negro a compor o Supremo. A impressão que ficou é que os parâmetros utilizados foram de gênero e raça e não o de notório saber jurídico e reputação ilibada como prevê a constituição.

ellen-barbosa Joaquim Barbosa e Ellen Gracie: indicação com critérios de gênero e raça? 

Acho que esse é um assunto sério e que deve ser discutido de maneira mais responsável. Repito, sou favorável à política de cotas, desde que sociais, até mesmo porque não podemos desprezar as peculiaridades do nosso país. Como definir o que é ser negro num país como o nosso? Os defensores da política de cotas acham que esse é um argumento rasteiro e supérfluo, no entanto, ainda não apresentaram, se é que isso é possível, um parâmetro minimamente aceitável. Acho que temos que nos preocupar, antes, em levar a educação mais a sério, e isso independe de questões raciais. Por exemplo, no Brasil há uma inversão que seria irônica, se não fosse trágica. A classe média, e aqui não importa se negros ou brancos, cursa todo o ensino fundamental e médio nas escolas particulares e vai fazer faculdade nas federais. Enquanto o restante da população, também não importa se negros ou brancos, estuda o ensino fundamental e médio sofríveis na rede pública e depois tem que pagar pra fazer um curso superior.

Portanto, quero deixar claro que não sou contra a política de cotas, pelo contrário, sou um entusiasta das cotas, mas, desde que sejam cotas sociais. Por outro lado, abomino as cotas raciais. Reconheço a injustiça histórica a que o povo negro sempre foi submetido no nosso país, mas acho que isso não justifica o cometimento de uma nova injustiça. Imaginem vocês, um professor, numa sala de aula com dois alunos que moram no mesmo bairro, os pais trabalham no mesmo emprego, ganham o mesmo salário, ou seja, tem existências idênticas. Aí a professora fala pra um “você tem cinqüenta por cento de chance a mais de cursar uma universidade do que ele”. E outro pergunta, “mas por quê?”. Ao que ela responde, “porque ele é negro e você é branco”. Com as devidas vênias dos que discordam, acho que o caminho não é esse, mas estou aberto para que me provem o contrário.

J. Dannieslei

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Concurso inusitado

A criatividade humana é mesmo sem limites: hoje, ao navegar pela internet, me deparei com um concurso deveras inusitado vem que vem chamando a atenção nos Estados Unidos. Trata-se de uma disputa para escolher a melhor escultura feita com fita adesiva. Isso mesmo. Os artistas serão avaliados pela sua habilidade e inventividade na hora de trabalhar com o material, antes visto por nós como mero utensílio de uso doméstico…

Segundo notícia publicada pelo Portal Terra:

Mais de 75 esculturas foram submetidas e diferentes formas foram criadas, como uma bateria completa, um capacete romano e uma água-viva. […] Somente americanos com idade acima de 16 anos puderam inscrever suas obras. O vencedor do concurso deverá ser anunciado no dia 30 de abril. O Scotch Off the Roll Tape Sculpture Contest [nome do concurso] foi criado e organizado pela empresa 3M.

Vejam as fotos:

esculturas_fita_1 A água-viva é uma das esculturas que mais chamam a atenção - Crédito: Terra

esculturas_fita_2 Aqui vemos um carteiro… Crédito: Terra

esculturas_fita_3Uma bateria completa também foi criada - Crédito: Terra

esculturas_fita_4 O capacete romano também impressiona - Crédito: Terra

É claro que por detrás dessa criativa ideia, está a vontade da empresa 3M de promover o seu produto. Porém, não vai ser por isso que nós vamos deixar de apreciar o trabalho dos jovens artistas, que, no mínimo, é muito interessante.

O vencedor do concurso vai embolsar um prêmio de 5.000 dólares… Bom, não?

Henrique Oliveira

* Quer ver mais imagens? então visite o sitye oficial do concurso. Clique aqui.

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